Insights do encontro Escalando com Franquias com Daniel Lazary, da Porto do Sabor
Crescer no franchising é o objetivo de muitas marcas. Porém, poucas conseguem expandir sem perder a essência que deu origem ao negócio.
Foi justamente sobre esse tema que conversamos em mais um encontro do Escalando com Franquias, iniciativa da comunidade do franchising que reúne franqueadores para compartilhar experiências reais de expansão.
O convidado desta edição foi Daniel Lazary, executivo com mais de duas décadas de experiência no franchising e atualmente responsável pela expansão da Porto do Sabor, rede de alimentação com mais de 40 unidades e quase três décadas de história.
A conversa trouxe um ponto central: nenhuma rede de franquias se sustenta no longo prazo sem um propósito claro e uma cultura forte.
A história por trás da Porto do Sabor
A Porto do Sabor nasceu como um negócio familiar, criado para ser o sustento de uma família. Com o tempo, a marca conquistou clientes e começou a despertar interesse de outros empreendedores que queriam abrir unidades semelhantes.
Foi dessa demanda que surgiu a decisão de expandir por franquias.
Ou seja, a marca não nasceu para ser franquia. Ela nasceu como um negócio real, validado no varejo, que depois encontrou no franchising um caminho natural de crescimento.
Hoje, quase 29 anos depois da primeira loja, a rede continua crescendo, mantendo um posicionamento muito claro: oferecer uma proposta de alimentação mais saudável dentro do segmento de alimentação rápida.
Essa origem explica muito da cultura que sustenta a rede até hoje.
Crescimento com propósito
Nos últimos anos, a Porto do Sabor passou por um ciclo de expansão relevante.
Segundo Daniel Lazary, a rede dobrou de tamanho em aproximadamente três anos, mantendo crescimento consistente de faturamento e ampliação da base de clientes.
Mas existe um detalhe importante nessa trajetória: o crescimento nunca foi colocado acima da essência da marca.
A rede tem um posicionamento muito claro em relação ao seu propósito e isso influencia diretamente as decisões estratégicas.
Esse cuidado aparece em diferentes níveis da operação:
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escolha de fornecedores alinhados à proposta da marca
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desenvolvimento constante do modelo de negócio
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preservação da cultura criada pelos fundadores
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atenção ao impacto de cada decisão na rede de franqueados
Para Daniel, quando uma empresa decide expandir por franquias, ela precisa entender que crescer não pode significar perder identidade.
A meta que guia a expansão
Durante o encontro, um ponto chamou atenção: a principal meta da rede não é apenas abrir novas unidades.
A meta central é evitar o fechamento de lojas.
Cada unidade que fecha representa mais do que um problema operacional. Representa impacto financeiro para o franqueado, desgaste para a marca e insegurança para toda a rede.
Por isso, a Porto do Sabor prioriza um crescimento cuidadoso, focado em construir relações sólidas com os franqueados.
Isso exige um processo de expansão mais criterioso, menos baseado em volume e mais baseado em alinhamento.
Um processo de seleção diferente
Um dos aspectos mais interessantes do modelo da Porto do Sabor é a forma como os novos franqueados entram na rede.
Em muitas franquias, o primeiro contato do candidato acontece com a equipe comercial ou com analistas de expansão.
Na Porto do Sabor, esse primeiro contato acontece diretamente com Daniel Lazary, responsável pela área de franquias.
O objetivo não é vender a franquia rapidamente.
O objetivo é alinhar expectativas.
Durante essas conversas, o candidato escuta algo que muitas vezes não aparece em apresentações comerciais de franquias: a realidade do negócio.
São discutidos temas como:
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o nível de dedicação exigido na operação
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os desafios do varejo no Brasil
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as margens reais do negócio
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os riscos naturais do empreendedorismo
Segundo Daniel, muitos candidatos chegam ao franchising movidos pela emoção e pela expectativa de retorno rápido.
Quando a conversa traz mais racionalidade para a decisão, alguns candidatos desistem. E isso faz parte do processo.
Os que continuam normalmente entram no negócio com muito mais consciência da jornada que terão pela frente.
Transparência gera credibilidade
Esse modelo de seleção mais transparente acaba gerando um efeito importante: credibilidade.
Quando o candidato percebe que a franqueadora não está tentando vender um sonho, mas sim apresentar a realidade do negócio, a relação começa baseada em confiança.
Essa confiança faz diferença no longo prazo.
Ela ajuda os franqueados a compreenderem melhor as decisões da franqueadora, inclusive em momentos desafiadores — como problemas com fornecedores, ajustes operacionais ou mudanças estratégicas.
Segundo Daniel, quando existe cultura forte e alinhamento de propósito, o franqueado consegue enxergar o sistema com uma visão mais equilibrada.
Ele entende que desafios fazem parte da jornada.
Cultura como vantagem competitiva
Ao longo da conversa no Escalando com Franquias, ficou claro que a cultura organizacional da Porto do Sabor não é apenas um discurso institucional.
Ela influencia decisões reais.
Manter essa cultura ativa exige um trabalho constante:
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nas reuniões internas da franqueadora
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no relacionamento com os franqueados
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na forma de conduzir a expansão
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na escolha de parceiros estratégicos
Para Daniel, redes que conseguem preservar sua cultura ao longo do tempo têm muito mais chances de atravessar décadas no mercado.
E isso exige paciência.
Redes baseadas em propósito e cultura não crescem da noite para o dia.
Mas constroem algo muito mais valioso: longevidade.
Uma lição para quem quer franquear
O encontro com a Porto do Sabor deixou uma reflexão importante para empreendedores que pensam em transformar seus negócios em franquias.
Antes de pensar em expansão acelerada, é fundamental responder algumas perguntas:
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Qual é o verdadeiro propósito da minha marca?
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Que cultura sustenta o meu negócio hoje?
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Essa cultura pode ser replicada em uma rede de franqueados?
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Estou disposto a crescer com responsabilidade, mesmo que isso leve mais tempo?
Porque no franchising existe uma verdade simples:
abrir lojas é fácil.
Construir uma rede sólida é outra história.
E redes que conseguem fazer isso normalmente têm algo em comum: um propósito claro e uma cultura que orienta cada decisão de crescimento.


