Reforma Tributária e Franquias: O Que as Franqueadoras Precisam Fazer Agora Para Não Perder Margem

A reforma tributária deixou de ser uma possibilidade futura. Ela já começou a mudar a forma como empresas serão tributadas no Brasil — e para franqueadoras, o impacto pode ser ainda maior.

Durante um encontro estratégico sobre tributação e expansão de franquias, foram discutidos os principais efeitos da reforma tributária para redes franqueadoras, além de estratégias práticas para reduzir carga tributária, proteger margem e estruturar o crescimento com inteligência.

Se você é empresário, franqueador ou deseja transformar seu negócio em franquia, este artigo vai te mostrar os principais riscos e oportunidades que surgem a partir de agora.


A Reforma Tributária Já Está em Movimento

Uma das notícias mais relevantes debatidas foi a publicação do regulamento do CBS no Diário Oficial, confirmando que a reforma tributária está avançando oficialmente.

O novo sistema substituirá tributos como:

  • ISS
  • PIS
  • COFINS
  • Parte do IRPJ/CSLL em determinadas estruturas

Tudo isso migrando para um modelo baseado em IBS e CBS, com lógica de créditos e débitos tributários.

O grande ponto de atenção?

A alíquota estimada gira entre 26% e 28%, podendo ultrapassar isso dependendo da estrutura atual da empresa. Em algumas simulações apresentadas, negócios sem planejamento chegaram a uma carga efetiva próxima de 35%.


O Maior Erro Será Esperar 2027 Para Agir

Embora a implementação principal aconteça em janeiro de 2027, a decisão estratégica sobre enquadramento tributário começa antes disso.

Segundo os especialistas da live, muitas empresas precisarão definir mudanças relevantes já em 2026, especialmente entre julho e agosto, quando decisões sobre regime tributário passam a ter peso estratégico.

Quem deixar para estudar depois provavelmente tomará decisões sob pressão.

E no franchising, decisões tributárias impactam diretamente:

  • Margem da franqueadora
  • Atratividade da franquia
  • Competitividade comercial
  • Capacidade de expansão
  • Precificação dos royalties
  • Fundo de marketing
  • Distribuição de produtos
  • Estrutura societária

Simples Nacional Pode Deixar de Ser o Melhor Caminho

Um dos pontos mais discutidos foi o impacto da reforma sobre empresas do Simples Nacional.

Muitos empresários acreditam que permanecer no Simples automaticamente significa pagar menos imposto. Mas isso pode mudar drasticamente.

Em alguns cenários apresentados:

  • Simples Nacional: carga de aproximadamente 15,5%
  • Lucro Presumido: carga próxima de 13,33%

Ou seja: dependendo da estrutura da empresa, o presumido pode se tornar mais vantajoso.

Além disso, empresas do Simples podem perder competitividade caso não gerem créditos tributários para clientes e parceiros.


Franqueadoras Precisam Parar de Pensar Como Empresas Operacionais

Esse talvez seja o ponto mais importante.

Muitas franqueadoras continuam operando com a mesma mentalidade de quando tinham apenas uma unidade.

Mas expansão exige estrutura.

E estrutura tributária passa a ser parte do modelo de crescimento.

Foi destacado que diversas franqueadoras utilizam CNAEs inadequados ou estruturas mal organizadas, aumentando desnecessariamente sua carga tributária.

Um exemplo citado foi o CNAE 74.40, voltado para gestão de ativos intangíveis, frequentemente utilizado em franqueadoras. Dependendo da folha de pagamento, a empresa pode migrar de anexos mais caros para anexos mais vantajosos dentro do Simples.


A Estratégia Que Pode Reduzir Fortemente a Tributação

Um dos conteúdos mais valiosos apresentados foi sobre segregação estratégica de receitas.

Na prática, muitas franqueadoras concentram tudo em uma única receita:

  • royalties
  • taxa de franquia
  • treinamento
  • consultoria
  • materiais
  • produtos

E isso pode gerar tributação desnecessária.

Foram apresentados exemplos de estruturas que combinam:

  • royalties
  • venda de e-books
  • treinamentos
  • produtos digitais
  • comércio de materiais

Com isso, algumas operações reduziram significativamente sua alíquota efetiva.

Em um dos casos apresentados:

  • uma empresa saiu de aproximadamente 15,9%
  • para cerca de 11% de carga tributária média

Apenas organizando corretamente as receitas e documentações.


Produto Digital Pode Virar Estratégia Tributária

Outro ponto relevante foi o uso estratégico de produtos digitais.

E-books e determinados ativos digitais possuem tratamentos tributários diferenciados, podendo reduzir presunções e otimizar a carga tributária em algumas estruturas.

Mas existe um alerta importante:

Isso não pode ser feito de forma artificial.

Toda segregação precisa ter:

  • documentação
  • comprovação operacional
  • emissão correta de notas
  • coerência contábil
  • estrutura real

Sem isso, o risco de autuação aumenta significativamente.


A Nova Era da Contabilidade Consultiva

Com o avanço do split payment e do cruzamento automático de informações fiscais, a contabilidade deixa de ser apenas operacional.

O governo passará a ter uma visão muito mais integrada das movimentações financeiras das empresas.

Na prática:

  • omitir receita ficará mais difícil
  • misturar contas PJ e PF será mais perigoso
  • falta de escrituração pode gerar autuações rapidamente

Por isso, a contabilidade estratégica passa a ser uma área central da expansão.


Fundo de Marketing: O Erro Que Muitas Franqueadoras Cometem

Outro tema extremamente relevante foi o fundo de marketing.

Muitas redes pagam imposto indevidamente sobre esse recurso por não estruturarem corretamente a segregação financeira e documental.

Quando o fundo é corretamente formalizado e segregado, existem possibilidades de tratamento tributário mais eficiente.

Esse é um detalhe que parece pequeno…

Mas em redes maiores, representa muito dinheiro ao longo do tempo.


Holdings e Estrutura Patrimonial Ganham Ainda Mais Importância

Com a possibilidade de retenções progressivas sobre distribuição de lucros em determinadas faixas, estruturas patrimoniais passam a ganhar relevância estratégica.

Foram discutidos modelos como:

  • holding patrimonial
  • holding operacional
  • holding de participação
  • estruturas familiares
  • proteção patrimonial
  • sucessão empresarial

Cada modelo possui objetivos diferentes e precisa ser analisado individualmente.

O principal aprendizado aqui é:

Empresas que crescem sem estrutura societária acabam pagando mais impostos, assumindo mais riscos e perdendo eficiência financeira.


O Novo Jogo do Franchising Será Estratégico

A reforma tributária não será apenas uma mudança fiscal.

Ela vai separar:

  • empresas estruturadas
  • de empresas improvisadas

Franqueadoras que entenderem isso cedo poderão:

  • proteger margem
  • aumentar competitividade
  • estruturar expansão sustentável
  • atrair melhores franqueados
  • crescer com inteligência

Enquanto muitas ainda estarão tentando entender o que aconteceu.


Conclusão

A expansão de uma franquia não depende apenas de vendas.

Depende de estrutura.

E agora, mais do que nunca, estrutura tributária será uma vantagem competitiva.

A reforma tributária pode aumentar custos para quem estiver despreparado…

Mas também pode abrir espaço para empresas mais estratégicas crescerem com muito mais eficiência.

O momento de estudar isso não é em 2027.

É agora.

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